COGNIÇÃO SOCIAL E A CULTURA EM ANGOLA: DO HIBRIDISMO ÀS EPISTEMOLOGIAS DO SUL

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Palavras-chave:

Cognição social; Cultura angolana; Epistemologias do Sul; hibridismo identitário e políticas públicas

Resumo

Este artigo analisa a influência da cultura angolana na cognição social, investigando como o hibridismo entre tradição e o moderno influencia a percepção e interacções comunitárias. O contexto angolano apresenta uma diversidade etnolinguística e histórica complexa, marcada por legados coloniais e pela guerra civil. Observa-se, contudo, uma lacuna na literatura, dada a hegemonia de modelos psicológicos eurocêntricos que desconsideram as especificidades locais. A problemática questiona de que maneira as particularidades culturais angolanas redefinem os processos de julgamento e categorização social. O estudo analisou essa influência mediante quatro modelos teóricos, nomeadamente a teoria da atribuição, da comparação social, da identidade social e a teoria transculturalidade. A justificativa reside na urgência de descolonizar o olhar psicológico para fundamentar as políticas públicas mais eficazes. Assim, a metodologia do estudo consistiu numa pesquisa qualitativa de natureza bibliográfica, com a análise de 18 documentos publicados entre 1909 e 2026. E, a discussão evidencia que a cognição angolana privilegia a interacção colectiva e a harmonia social em detrimento do individualismo clássico. Como resultados, identificou-se que os ritos de passagem, migrações e estigmas étnicos são tratados por meio de um hibridismo identitário que negocia constantemente entre o ancestral e o global. A conclusão ratifica que a psicologia social clássica é insuficiente para compreender a subjectividade local, sendo imperativo adoptar as “Epistemologias do Sul” para promover a coesão social e o reconhecimento da adversidade étnica em Angola.

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Publicado

20-06-2026

Como Citar

VILALI SEMENTE , J. V. . (2026). COGNIÇÃO SOCIAL E A CULTURA EM ANGOLA: DO HIBRIDISMO ÀS EPISTEMOLOGIAS DO SUL. Revista Sol Nascente, 15(1), 47–71. Obtido de https://www.revista.ispsn.org/index.php/rsn/article/view/737